Artigo de João Isaac
22-10-2019

O que é mais difícil? Desenvolver um modelo novo, de raiz, ou desenvolver um automóvel, também ele integralmente novo, mas para substituir um outro que, por mérito próprio, se assumiu como líder e que ao fim de seis anos ao serviço continua ainda a dar cartas? Criar um novo modelo ou, por que não, um novo segmento deve ser valorizado, mas desenvolver uma nova geração de um modelo como o Clio é uma tarefa cuja responsabilidade é difícil de quantificar.

Do chassis ao habitáculo, muitas novidades

Assim, e nunca esquecendo o grande sucesso comercial que foi (e que certamente continuaria a ser…) a quarta geração do Clio, é fácil identificar neste novo modelo linhas que o ligam à geração que saiu agora de cena. Um toque aqui, um toque ali, modernizando-o onde necessário, mas mantendo a linha geral inalterada, o que facilmente se compreende. A secção dianteira aproximou-o, claramente, do Megane e atrás o Clio está agora mais limpo, com linhas menos agressivas.

No entanto, o aspeto moderno mas familiar do Clio esconde imensas novidades. Quer no habitáculo, quer a nível do chassis, a quinta geração do modelo francês aposta em novos argumentos para continuar a ocupar o lugar mais alto do pódio no que às vendas nacionais diz respeito, apontando, igualmente, à liderança do segmento na Europa, posição que ocupa desde 2013.

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O novo Clio estreia a nova plataforma modular CMF-B, mais leve e rígida, preparada para receber a inevitável eletrificação. Neste aspeto, o Clio vai ser o primeiro modelo a utilizar a futura motorização híbrida E-Tech. É em grande parte devido à nova plataforma que imediatamente se nota uma clara evolução na forma mais robusta como rola sobre o asfalto quando comparado com a geração anterior. Um pisar mais sólido mas bem filtrado, digno de um carro de segmento superior. Isto ao mesmo tempo que continua a oferecer um excelente compromisso entre conforto e dinâmica, como é hábito nos carros da Renault.

Até à chegada da versão RS, este é o Clio mais potente da gama

Para este ensaio escolhemos a versão mais potente da gama. Pelo menos até ao momento. O motor 1,3 lt Tce é já conhecido de outros modelos mas encaixa muito bem no Clio, em especial nesta versão RS Line de inspiração mais desportiva. Com 130 cavalos e 240 Nm de binário logo às 1600 rpm, este é um motor capaz de incutir no Clio andamentos verdadeiramente rápidos. Apesar disso, não sendo um modelo RS puro, a pronta intervenção da eletrónica nos momentos de maiores exageros rapidamente nos põe algum travão no entusiasmo. Também os pneus Continental mostraram nem sempre estar à altura do vigor com que o motor se mostra à saída das curvas mais fechadas.

Veja o vídeo:

Passando ao interior, aqui deu-se uma autêntica revolução. Rompendo totalmente com o design do Clio IV, as melhorias ao nível da qualidade dos materiais são notórias, assim como é a evolução em termos de ergonomia. O painel de instrumentos digital, bem como o novo infotainment acentuam o reforço tecnológico aplicado pela Renault, apostando igualmente num extenso pacote de assistentes de condução. Os bancos dianteiros de aspeto desportivo são bastante confortáveis, mas os passageiros do banco traseiro continuam a viajar com algumas limitações de espaço. A bagageira cresceu para uns expressivos 391 litros úteis, mas ao não dispor de um fundo amovível, não é possível criar um plano de carga ininterrupto com o rebatimento do encosto traseiro.

Gama inclui duas versões do motor Diesel Blue dCi

Para quem não for tão exigente com a performance, a gama do novo Clio inclui igualmente o pequeno três cilindros 1,0 lt, a gasolina, com 100 cavalos. Posteriormente, vai estar disponível uma versão deste motor alimentada a GPL. A oferta Diesel faz-se com o 1,5 lt Blue dCi em dois níveis de potência, 85 ou 115 cavalos. Para além do RS Line, a gama compreende ainda os níveis de equipamento Intens, Exclusive e Initiale Paris, este último mais orientado para o conforto e luxo.

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A Renault aplicou a maior parte do seu grande trabalho onde era efetivamente importante atuar. Mantendo a apelativa estética da carroçaria, a marca francesa focou-se em desenvolver um novo e mais evoluído chassis que lhe permitirá avançar para a eletrificação, assim como numa total reformulação do ambiente a bordo, com uma superior qualidade e uma grande aposta em tecnologia. Evoluindo a todos os níveis, mas melhorando onde era essencial fazê-lo, o novo Renault Clio está condenado ao sucesso, isso parece-nos óbvio. A responsabilidade foi assumida e o desafio, esse, foi claramente superado.

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Preço e IUC

Preço base: 23 920 €

Preço da unidade ensaiada: 26 450 €

IUC: 136,72 €

Ficha técnica

Motor e transmissão

Colocação: dianteira, transversal

Cilindrada: 1332 cc, quatro cilindros em linha

Alimentação: injeção direta, gasolina, turbo

Potência: 130 cavalos às 5000 rpm

Binário: 240 Nm às 1600 rpm

Caixa: automática, dupla embraiagem, 7 velocidades

Consumo e performance

Consumo médio declarado: 5,7 lt/100 km

Consumo médio verificado: 6,7 lt/100 km

Aceleração 0-100 km/h: 9,0 segundos

Velocidade máxima: 200 km/h

Dimensões

Comprimento/largura/altura: 4050 mm/1798 mm/1440 mm

Capacidade da mala: 391 litros

Percorra a galeria e veja as fotos do Renault Clio TCe 130 RS Line.

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