Suzuki Jimny, até ao fim do mundo e mais além
Artigo de João Isaac
21-06-2019

As origens deste novo Jimny remontam a 1970. São já quase 50 anos de história de um dos mais emblemáticos veículos todo-o-terreno de sempre. E se muito mudou em meio século de vida, a verdade é que a essência das gerações anteriores do pequeno Suzuki está lá toda, inalterada.

Ainda antes de entrar, é difícil resistir ao design do Jimny. Uma mistura de traços familiares e nostálgicos com uma moderna robustez verdadeiramente bem conseguida. Com cerca de 3,5 metros de comprimento, o Jimny não passa, para muitos, de um brinquedo. Uma simpática caixinha com quatro rodas, inofensiva, e que diz ser capaz de vencer qualquer obstáculo que lhe surja no caminho. E essa afirmação é bem capaz de ser verdade. Isto porque no que diz respeito às suas capacidades fora de estrada, este é um caso sério de eficácia a ter em conta.

Na frente, de desenho muito vertical, destaca-se a grelha com as cinco aberturas e os faróis redondos. Estes contam com iluminação em led, uma mais-valia para os escuros caminhos da serra onde o Jimny se sente tão bem. Na secção traseira é o pneu suplente que mais chama à atenção, assim como a abertura da porta onde está colocado que não é a mais prática para, por exemplo, colocar as compras num apertado parque de estacionamento de supermercado.

Ainda no que toca à carroçaria, para além do “nosso” azul Ativo, a marca propõe outras sete cores. As jantes de liga leve de 15 polegadas são de série no nível de equipamento de topo, o Mode 3.

Por dentro, espaço à justa, mas equipamento não falta

No habitáculo, o tablier conta essencialmente com materiais rijos mas com uma construção sólida. O grafismo do painel de instrumentos contribui para o ambiente retro a bordo. Por oposição, ao centro, está colocado o moderno sistema de infotainment com ecrã tátil. Este acumula as funções de multimédia, navegação e telefone. Relativamente a equipamento de conforto, neste Jimny não falta o ar condicionado automático, nem os bancos dianteiros aquecidos para os dias de aventura mais frios.

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Apesar da altura ao solo ser elevada, o acesso ao banco traseiro faz-se sem grande esforço. Mas o rebatimento do banco sem função de memória é pouco prático, uma solução que pouparia imenso tempo. O espaço atrás não abunda, mas chega para os trajetos curtos ou para transportar os mais pequenos nos percursos entre casa e escola.

A bagageira é, como as dimensões deixam antever, pequena. São apenas 85 litros de volume, complementados por um pequeno compartimento para guardar, por exemplo, o triângulo. No entanto, o rebatimento dos bancos de trás é muito fácil de fazer, expandindo a mala para uns mais expressivos 377 litros.

Motor mais do que suficiente

Lá à frente, debaixo do capot, esconde-se o motor 1.5, um quatro cilindros atmosférico. Com 102 cavalos e um binário de 130 Nm, é um propulsor que se ajusta na perfeição ao leve e compacto Jimny. A boa disponibilidade desde os baixos regimes evita o constante recurso à caixa de cinco velocidades. Assim, em circuitos urbanos ou em pequenos percursos fora de estrada, é fácil desembaraçar-se sem ter de “meter uma abaixo”.

Embora não seja, de todo, a praia deste Suzuki, a sua capacidade de aceleração também chega e sobra para uma utilização dita normal. Isto porque os 102 cavalos apenas têm de carregar com cerca de 1000 kg. E sem turbos no caminho, a entrega da potência é muito linear.

Ótimo para a cidade, perfeito para o campo

Ao volante do Jimny, são duas as experiências possíveis. Uma sobre o alcatrão, outra fora dele. Mantendo esta ordem, comecemos pela condução em estrada. A posição de condução é correta. O volante não regula em proximidade e o banco não o faz em altura. No entanto, o banco é confortável e a visibilidade é excelente em todas as direções porque o Jimny é curto e estreito e porque o formato cúbico com muito vidro assim o permite.

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Nas voltinhas da cidade o Jimny é um ótimo companheiro. O motor disponível, os comandos leves, a ótima visibilidade e o raio de viragem reduzido contribuem para uma facilidade de condução ao alcance de poucos automóveis. E com as suas credenciais para todo-o-terreno, não existem passeios, depressões ou lombas que o assustem. O pequeno Suzuki simplesmente finta-os e segue o seu caminho, indiferente. Para isto também contribui a afinação branda da suspensão.

Numa condução sem exageros, e considerando o tamanho e propósito de um automóvel como este, o nível de conforto é bastante bom. Importa ainda referir a aposta da Suzuki em elementos de segurança ativa. São disso exemplo os assistentes de faixa de rodagem e de travagem automática.

Em autoestrada, cumpra o limite

A ritmos mais elevados, como em autoestrada, o Jimny começa a revelar-se menos à vontade. A 120 km/h em 5ª velocidade o motor já roda às 4000 rpm. Os ruídos da transmissão estão, também, mais presentes. A pouca eficiência aerodinâmica também não o ajuda, nem tão pouco a sensibilidade aos ventos laterais que obrigam muitas vezes a pequenas correções no volante. No entanto, é tudo uma questão de hábito ou de retermos um pensamento. O Jimny partilha as vias rápidas com todos os outros automóveis. Já o inverso é impossível. São raros os carros que chegam onde este Suzuki vai.

Fora da estrada, está em casa

Quando o alcatrão acaba, começa a verdadeira diversão. É aqui que o Jimny mostra todas as suas capacidades. Pneus mistos, uma folgada altura ao solo e bons ângulos para todo o terreno. E como se isto não bastasse, entre os bancos dianteiros, está lá a pequena alavanca para ativar a tração integral. Para as situações ainda mais exigentes, o Jimny não dispensa as redutoras. Toda esta mecânica apta para pisos mais degradados é complementada por uma eletrónica capaz de exponenciar ainda mais a competência do Jimny enquanto TT. Um exemplo é o controlo de tração que, através dos travões, consegue passar potência para a roda com mais aderência. No tablier está lá, também, o botão do controlo automático de descidas.

O Jimny não é um automóvel isento de falhas. Mas considerando aquilo a que se propõe, são realmente poucos os defeitos que lhe podemos apontar. Principalmente se considerarmos a evolução enorme comparativamente à anterior geração e a forma como tão bem combina as modernas tecnologias de apoio à condução com a atitude rebelde de sempre. Considerando a versão de topo – Mode 3 – que conduzimos, esta é uma proposta que está longe de ser barata. No entanto, está também longe de se confundir com o resto do parque automóvel, bem como garante que cada pequeno percurso rapidamente se transforme numa aventura que nenhum outro automóvel neste patamar de preço consegue proporcionar.

O novo Jimny está disponível com três níveis de equipamento e os preços iniciam-se nos 21 075 euros. Em opção, está disponível uma versão equipada com caixa automática, associada ao nível intermédio, JLX.

Preço e IUC

Preço: 24 811 €

IUC: 171,18 €

Ficha técnica

Motor e transmissão

Colocação: dianteira, longitudinal

Cilindrada: 1462 cc, quatro cilindros em linha

Alimentação: injeção multiponto, gasolina

Potência: 102 cavalos às 6000 rpm

Binário: 130 Nm entre às 4000 rpm

Caixa: manual de 5 velocidades

Consumo e performance

Consumo médio declarado: 7,9 lt/100 km

Consumo médio verificado: 7,0 lt/100 km

Aceleração 0-100 km/h: indisponível

Velocidade máxima: 145 km/h

Dimensões

Comprimento/largura/altura: 3645 mm/1645 mm/1720 mm

Capacidade da mala: 85-377 litros

Percorra a galeria e veja as fotos do Suzuki Jimny.

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