Artigo de André Cruz Martins
11-03-2020

O surto de Covid-19 (coronavírus) continua a espalhar-se por todo o mundo e a afetar inúmeros setores da economia. O turismo é uma das áreas mais prejudicadas e tem levado ao cancelamento de inúmeros voos, cruzeiros e estadias em alojamentos. Mas também de espetáculos desportivos e musicais, filmes em salas de cinema, feiras de negócios e muitos outros eventos. Em janeiro, muitas companhias aéreas cancelaram voos para a China, país onde começou o surto. A medida estendeu-se a vários países europeus, com Itália à cabeça, onde já houve quase 500 mortes.

TAP com muitos voos cancelados

Em Portugal, a TAP anunciou “a redução da capacidade para os próximos meses em cerca de 2500 voos adicionais”. Isto depois de já ter cancelado cerca de 1000 ligações. Ou seja, no total, estamos a falar de cerca de 3500 voos cancelados. De acordo com a TAP, esses números correspondem “a 7% dos voos programados em março, 11% em abril e 19% em maio”. A maior companhia aérea portuguesa justificou esta medida com a diminuição das reservas de viagens registada nos últimos tempos.

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“Estes cancelamentos continuam a incidir nas operações para cidades nas regiões afetadas pelo Covid-19, especialmente em Itália. No entanto, está ainda contemplada a redução de oferta em outros mercados europeus que mostram maiores quebras da procura, como Espanha ou França e em alguns voos intercontinentais, dado o modelo de operação da TAP, como companhia de longo curso e conexão”, explica a TAP. A empresa portuguesa assegurou ainda  que irá contactar todos os passageiros afetados por estes cancelamentos.

Cancelar não, reagendar sim

A companhia aérea “low-cost” Ryanair anunciou igualmente o cancelamento de ligações aéreas de e para Itália. E a Emirates revelou também alterações à política de alterações e cancelamento de voos. A empresa refere que a nova política, que permite a isenção de taxas de alteração, afetará todos os bilhetes emitidos até 31 de março de 2020. A pergunta que muitas pessoas fazem é: é possível cancelar uma viagem e pedir o reembolso? A verdade é que cancelamentos por questões de saúde pública não estão previstos. Mas adivinham-se muitas disputas judiciais nos próximos meses.

Para já, é possível essencialmente reagendar viagens. A Emirates é uma das companhias aéras que facilita esse processo. A empresa anunciou que os clientes podem alterar as suas reservas para qualquer data dentro de um período de 11 meses na mesma classe da reserva, sem multas. Será apenas aplicada a diferença de tarifa, se for o caso. A política abrange todos os destinos das rotas da Emirates.

TAP também facilita

A 8 de março, a TAP anunciou uma medida provocada pelo abrandamento de reservas, devido ao coronavírus. Entre 8 e 31 de março, a empresa portuguesa permite reagendar viagens, sem pagamento de taxa de alteração. Esta medida aplica-se a todos os voos TAP e a qualquer data de viagem, com exceção da tarifa Discount. É preciso apenas que os passageiros façam o pedido com pelo menos três semanas de antecedência em relação à data do primeiro voo. A companhia indica que “não é possível o reagendamento de voo com taxa de alteração gratuita em bilhetes emitidos da tarifa tap|discount”.

Sata seguiu o mesmo caminho

O grupo açoriano Sata seguiu o mesmo exemplo. Face aos constrangimentos causados pelo novo coronavírus, são permitidas alterações de reservas de voos nas suas companhias aéreas sem penalização. Desde que efetuadas até 16 de Março. Estas alterações sem pagamento extra são válidas para reservas feitas até 6 de março. Os passageiros terão de escolher novas datas para o voo a partir de 31 de maio. A mudança da reserva deve ser efetuada até 16 de Março. Após esta data, a situação será reavaliada.

Cancelamentos de cruzeiros

Algumas empresas de cruzeiros estão também a facilitar as políticas de cancelamento em vários navios de cruzeiro devido a este surto mundial de coronavírus. Nomeadamente grandes companhias como a Carnival Cruise Line, a Disney Cruises, a Royal Caribbean Cruises Ltd e a Norwegian Cruise Line.

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Mas as perspetivas dos clientes recuperarem o seu dinheiro são escassas. As políticas diferem de empresa para empresa, mas de um modo geral, está a ser oferecido crédito para viagens até o final da primavera. Os créditos podem ser usados em futuras viagens, caso os clientes cancelem as suas viagens num período específico antes da partida do cruzeiro, geralmente 24 a 48 horas antes.

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