Artigo de Equipa Automundo
24-10-2022

Como vai esse sentido de orientação? Mal? Não está sozinho nessa luta e provavelmente, sem saber, muitas das pessoas que o rodeiam sofrem com o mesmo problema. Tem tudo a ver com o local onde crescemos. Segundo um estudo, as pessoas que cresceram no campo orientam-se melhor do que aquelas criadas nas cidades. Tem tudo a ver com o nosso “GPS natural”, todos temos um, mas uns tornam esse “mecanismo” mais afinado do que outros.

O grupo de investigadores estudou os dados de mais de 400.000 pessoas de 38 países que fizeram um jogo concebido para a investigação em neurociência, o Sea Hero Quest. Os participantes foram desafiados a navegar num barco para encontrar pontos de controlo num mapa. “Descobrimos que crescer fora das cidades parece ser bom para o desenvolvimento das capacidades de navegação, e isto parece ser influenciado pela falta de complexidade de muitas redes de rua nas cidades”, explica o investigador principal, Hugo Spiers, do University College London.

 

Esta pode ser a justificação para o seu mau sentido de orientação

O co-autor Antoine Coutrot, da Universidade de Lyon, disse que a investigação mostrou que quando os ratos cresciam em jaulas com caminhos de diferentes complexidades, “certas capacidades cognitivas nos seus cérebros, incluindo a navegação espacial, também eram modificadas”. Para testar esta conclusão em humanos utilizaram o Sea Hero Quest, criado em 2016 para a investigação da doença de Alzheimer, tendo sido jogado por mais de 4 milhões de pessoas.

Coutrot explica que através da análise do jogo concluíram que as pessoas que cresceram nas zonas rurais obtiveram melhores resultados porque “o campo é um ambiente bastante complexo na medida em que é muito desorganizado, com maiores distâncias, o que significa que tem de memorizar o seu percurso”. Contudo, as pessoas criadas em cidades mais complexas como Paris e Praga fizeram muito melhor do que as de cidades com planos de rua ordenados, como Chicago. E há esperança.

O mesmo estudo explica que os adultos podem melhorar o seu sentido de orientação mais tarde na vida, se trabalharem esse aspeto. “É um pouco como aprender outra língua, o que será muito mais fácil se a aprendermos quando somos jovens”, diz Coutrot. Uma outra versão do jogo, que decorre na cidade, foi criada para testar como os habitantes citadinos se saíam no seu ambiente natural. Mostraram uma desenvoltura maior a gerir a rede de ruas, mas, mesmo assim, a diferença era grande quando os mesmos tentaram orientar-se no campo.

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